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Apadrinhamento Civil

Blog sobre apadrinhamento civil. Vamos relatar a nossa experiência como padrinhos civis. Esperamos poder contribuir para que aumentem os candidatos e que mais crianças possam sair das instituições e viver em família.

Blog sobre apadrinhamento civil. Vamos relatar a nossa experiência como padrinhos civis. Esperamos poder contribuir para que aumentem os candidatos e que mais crianças possam sair das instituições e viver em família.

Apadrinhamento Civil

09
Set19

Os desafios

Padrinhos Civis

Perguntaram-nos num comentário pelos desafios deste projeto.

Muito fácil responder a essa pergunta. Os desafios são a relação com o pai biológico.

Enquanto o nosso menino vivia na instituição ele estava acomodado. Mas o facto de a criança ter passado a viver com outra família despertou no pai sentimentos de posse e ciúme. Passou a ligar amiúde, o que antes não fazia. Pede à criança para nos mentir sobre situações que ocorrem quando passa o fim de semana com ele. Quis impedir a criança de passar férias no estrangeiro connosco, tentando persuadir a criança a dizer-nos que não queria ir (como a criança queria ir, claro que não fez o que o pai lhe mandou, o que fez com que o pai ficasse furioso).

Quanto à relação propriamente dita com a criança, não tem mais desafios do que aqueles que se vivem com um filho biológico. Cada criança tem os seus desafios. A nossa filha biológica é teimosona, este menino tem a memória de curto prazo reduzida, o que torna a aprendizagem escolar difícil. Acabo de o deixar na escola e de lhe relembrar algumas ideias para o dia, mas sei que logo à tarde me vai confessar que se esqueceu... Quando a deixei a ela na escola no mesmo ano de escolaridade em que ele está, sabia que ela ia trazer os recados todos. Com ele tenho de estar atenta, e repetir as coisas mil vezes...

Também posso referir que nos primeiros meses este menino roía as unhas, fazia xixi na cama e chegou a fazer umas birras próprias de criança mais pequena. Para as unhas comprei verniz, que ele comia na mesma. O xixi nunca ralhámos e dissemos sempre que não fazia mal, tentando apenas que fosse à casa de banho antes de dormir Às birras, não dávamos importância nenhuma, ficávamos a olhar como que para um espetáculo surpreendente, o que o incomodava e fazia parar. Entretanto, todas essas situações cessaram. Acho que não foi devido a nenhuma técnica por nós usada. Acho que apenas sucede que o menino se sente mais confiante e seguro.

15
Mai19

Reportagens do Diário de Notícias sobre crianças e jovens em acolhimento

Padrinhos Civis

Hoje, no DN, saiu uma entrevista à responsável pela Associação Amigos pr'á vida, que nos apresentou ao nosso menino.

Segue o link: https://www.dn.pt/vida-e-futuro/interior/se-criancas-e-jovens-em-acolhimento-processassem-o-estado-o-sistema-tinha-de-mudar-10897596.html

É isto, é isto tudo!

Vemos que há famílias dispostas a cuidar de uma criança ou jovem, mesmo mantendo o seu vínculo com a família biológica, mas depois, entramos no sistema e este não faz o "match"! Continuamos a manter a ideia que todas as crianças e jovens em acolhimento que não estão disponíveis para adoção, são potenciais afilhados civis. A lei não exige que tenha sido decretado previamente que a criança ou jovem pode ser apadrinhada civilmente. No entanto, não existe uma lista de crianças e jovens que possam ser apadrinhados civilmente, nem uma lista de candidatos, já habilitados, ao apadrinhamento civil. Então, é impossível dar-se o encontro entre padrinhos e afilhados civis!!

Nós já éramos padrinhos civis habilitados, mas o Estado não encontrava uma criança/jovem disponível. Para darmos a volta ao sistema, foi necessário encontrar a alternativa, no nosso caso, receber o apoio da associação "amigos pr'á vida" e fazer voluntariado em instituições de acolhimento, para conhecermos o nosso menino. Porque a sociedade civil também é uma resposta válida para a resolução deste problema, que é o acolhimento institucional. Por muito boas que sejam as instituições de acolhimento, nada bate uma família.

Acho que a instituição onde viveu o nosso menino é espetacular. Ele diz bem de todos os técnicos, e verificámos que ali existia carinho e atenção. Só que não se compara ao que tem agora. Nós verificamos os cadernos da escola todos os dias. Estamos atentos ao chapelinho para a cabeça nos dias de sol. Disponíveis para brincar, jogar, resolver dúvidas de TPC. Ah, caros leitores, se o vissem... Está tão feliz!

O vocabulário que usa, em que antes apresentava grandes deficiências, a sua motricidade fina, comer com a boca fechada e dizer "por favor" e "obrigado", e acima de tudo, a auto-estima que apresenta. Agora sabe que é amado incondicionalmente. Tantos, tantos abraços que nos dá...

Pensávamos que iamos proporcionar felicidade a uma criança que estava a atravessar uma situação difícil, não contávamos era que nós também iamos aumentar tanto a nossa. Este menino veio completar-nos ainda mais. Não desistam dos vossos projetos!

 

08
Mai19

Qual é a designação com que se tratam as famílias de apadrinhamento civil?

Padrinhos Civis

Ontem lembrámo-nos que este tema, tão natural para nós, é uma questão que poderá ter interesse para os leitores interessados no apadrinhamento civil.

No nosso grupo de famílias do apadrinhamento civil, houve uma partilha de um cartão de dia da mãe por parte de uma madrinha civil. Era um cartão lindo, em que o afilhado civil manifesta o seu amor e gratidão de uma forma tocante. Ele chama a madrinha civil de " tia".

A adolescente que conviveu connosco dois meses há uns anos (e que não quis prosseguir para apadrinhamento civil porque uma tia biológica lhe prometeu que ficava com ela) tratava-nos pelos nossos nomes próprios.

O nosso rapazinho pediu-nos para nos tratar por "pai" e "mãe", sendo que também dá essa designação aos pais biológicos e que nos diferencia uns dos outros pelos nossos nomes. Por exemplo, quando fala do pai biológico, diz "o meu pai X", e quando fala do padrinho civil diz "o meu pai y". Perguntámos à psicóloga da instituição o que ela achava e ela disse-nos que lhe parecia que o nosso menino tinha tudo muito bem arranjado na sua cabeça. E, de facto, assim parece ser. Ele trata-nos assim com grande naturalidade, bem sabendo que em causa está um apadrinhamento civil e que mantém os seus laços com a família biológica. Mas apercebemo-nos que ele se sente bem perante os seus pares tratando-nos por "pai" e "mãe", por exemplo, quando vamos à escola. As funcionárias e professoras também nos tratam como "pai" e "mãe", sabendo que em causa está um apadrinhamento civil.

Como é evidente, face a estes exemplos diversos que aqui vos damos, a nossa ideia sobre este assunto é que não há fórmulas de tratamento pré-definidas. Cada caso é um caso e a forma de tratamento deverá ser aquela que a todos deixa mais confortável.

 

 

07
Mai19

A evolução

Padrinhos Civis

Hoje estive a ler os primeiros posts deste blogue. Realmente, tem sido uma jornada. Num dos últimos encontros de famílias organizados pela associação "Amigos pr'á vida", falámos sobre como as ideias que temos de início evoluem.

Nós começámos por achar que existia uma lista de apadrinhamento civil, tal como na adoção, e que todas as crianças nas instituições que não estavam em situação de ser adotadas podiam ser apadrinhadas. Começámos por estabelecer um limite de idade (embora nunca fosse verdadeiramente rígido). Achámos que seria a Segurança Social a indicar-nos uma criança para apadrinhar. Pensámos que o apadrinhamento civil seria a resposta para retirar as crianças das instituições em Portugal.

Nada foi assim. Descobrimos que tínhamos de fazer voluntariado primeiro, porque de outra maneira o apadrinhamento civil não funciona, pois aparentemente não existem listas de crianças e candidatos para apadrinhar. Agora que já conhecemos vários responsáveis por instituições de acolhimento, ficamos mutuamente espantados: eles pediam à Segurança Social padrinhos civis e diziam-lhes que não havia. Nós perguntávamos pelas crianças para apadrinhar e diziam-nos que não existiam. A Segurança Social não mentiu a ninguém: as crianças não têm medidas de apadrinhamento civil "a priori", então não é feito o cruzamento de dados. Se nos perguntassem, diriamos que alguma coisa precisa de mudar.

O Apadrinhamento Civil é o instituto que consegue realmente tirar as crianças das instituições, porque elas não podem ser adotadas, devido aos laços que mantêm com a família biológica. Essa é a situação da maior parte das crianças que vivem em instituições. Então o apadrinhamento civil devia levar realmente uma volta, que permitisse que funcionasse melhor. Uma base de dados nacional, urge. Mal conseguimos crer que não existe!

A abertura das instituições à sociedade civil também nos parece crucial. Não apresenta só vantagens; é uma situação que deve ser tutelada - pelos dirigentes das instituições, pela Segurança Social, pelas associações. Mas do que observámos, é uma mais-valia. Permite que as crianças saiam ao fim-de-semana, que tenham oportunidade de conhecer a vivência de uma família funcional, que tenham voluntários à sua disposição para as ajudar a estudar, fazer os tpc, ir à praia ou ao cinema.

Nesta nossa jornada, descobrimos que a idade não é importante, que o que e importante é a empatia mútua. Esquecemos todas as ideias pré-concebidas, porque quando interagimos, nada disso importa.

Acima de tudo, sentimo-nos gratos à associação "Amigos prá vida". Através da associação "Candeia", levam alegria às crianças na zona de Lisboa, fazendo atividades durante todo o ano - quantas crianças com quem fizemos voluntariado nos falam com alegria da Candeia e das experiências que lhes tem proporcionado. É uma associação que conhece bem as crianças institucionalizadas e por isso nos soube ajudar na nossa jornada, levando-nos a encontrar o nosso rapazinho, por saberem que ele mantinha laços com a família biológica, mas carecia de outra família que pudesse cuidar dele, permitindo-lhe manter esses laços.

Mas a "Amigos prá vida" não fica por aqui. Organiza encontros de famílias como a nossa para discutirmos as nossas experiências e nos ajudarmos mutuamente. Esses encontros são bons para todos, para as crianças, que conhecem famílias como a sua, para os adultos, que aprendem com as experiências mútuas.

06
Mai19

Convívio com a família biológica

Padrinhos Civis

Passaram meses desde que o nosso rapazinho veio viver connosco.

Continua tudo a correr muito bem! Ontem foi o dia da mãe e fui presenteada com uma coreografia dele e da minha menina. O meu coração está tão, tão preenchido... Nem sei descrever a felicidade que sinto! Recebi tantos beijos e abraços, que nem vos sei contar quantos...

As mudanças no nosso rapazinho são cada vez mais notórias. Cresce a olhos vistos, aumenta o seu vocabulário. Ontem disse-me "Já percebi a técnica para não ocorrer um erro." Isto vindo de uma criança que tinha um vocabulário extremamente reduzido e abaixo da sua idade. Quase só conseguia dizer "tipo" ou "não sei dizer".

Na escola mantém dificuldades, mas ja não chora para fazer os TPC.

Temos feito mil atividades juntos. Ontem fomos passear num barco tradicional da nossa localidade. No dia anterior fomos a uma aula de robotica. Vamos ao teatro. Ao cinema. Experimentámos realidade virtual 7D. E nas férias vamos ao estrangeiro, conseguimos o seu passaporte (sim, tudo é uma vitória, chegámos a pensar que, como a nossa situação jurídica ainda não é definitiva, poderiam não o passar)!

Mas passemos ao que, imagino eu, desperta mais interesse nos nossos leitores, interessados em iniciar um projeto destes. A relação com a família biológica.

Bem, ontem por exemplo. Ligámos à mãe e convidámo-la para jantar connosco num restaurante. Ela não pôde aceitar o convite, mas foi muito cordial. É uma senhora simpática e disse-me, inclusivamente, que o que queria era o bem-estar dos seus filhos e que mais valia estar ele connosco do que na instituição. Digo-vos: acho isto de louvar e de coragem. Faz-me lembrar a parábola de Salomão. Esta mãe resigna-se a não estar com o seu filho em prol do seu bem-estar. Outras há que dizem "não é para mim, não é para ninguém".

Já o pai... Bem mais complicado. De uma forma geral, é cordial. Mas às vezes não. Desde que aparecemos na vida deste menino, que o seu interesse por ele aumentou. Se antes quase nunca lhe ligava, os ciúmes (acho eu, que é pelos ciúmes), o sentimento de posse (acho eu que é pelo sentimento de posse), fazem com que tenha passado a ligar-lhe mais. Opôs-se em tribunal à situação. Quere-o consigo. Mas depois, quando está com ele, não interage, deixa-o jogar playstation todo o dia até madrugada fora, não o alimenta em condições, não verifica que se fez os tpc. Não digo que não gosta ele: acredito que gosta. Só que não sabe cuidar dele, mas não quer que outros cuidem. Se for uma instituição, ok. Agora outra família, é que não.

Não posso detalhar muito mais. O que quero dizer a outras famílias que queiram iniciar este projeto é: não tenham medo. Não quer dizer que corra sempre tudo às mil maravilhas. Mas cada beijinho, cada abraço, cada sorriso, cada gargalhada da criança valem todos os desafios!

 

 

28
Dez18

Como tudo aconteceu

Padrinhos Civis

Peço desculpa por ter estado tanto tempo sem escrever. Imagino que há pessoas que se interessam pela temática do apadrinhamento civil e por isso considero importante publicar a nossa jornada, protegendo sempre a identidade dos envolvidos, para que outros se inspirem para as suas próprias jornadas.

Ora bem, como vos demos conta, no ano passado chegámos a iniciar uma relação com uma jovem, com vista a apadrinhá-la civilmente. Era uma rapariga muito inteligente, boa aluna e educada. Tinha os seus desafios, também, em particular, era uma miúda que quando se sentia triste, fugia. Por exemplo, em vez de ir para a escola, se estivesse deprimida, simplesmente ia enfiar-se num sítio qualquer a chorar. Não sabemos se teríamos conseguido resolver ou pelo menos melhorar o seu bem estar. Passado pouco tempo do nosso convívio, a jovem disse-nos que não queria o apadrinhamento e que existia alguém da sua família biológica que afinal ia ficar com ela. Ficámos amigos e de vez em quando ainda saímos juntos ou trocamos mensagens. Foi muito triste para nós, porque vemos com apreensão o caminho que ela escolheu, mas um apadrinhamento civil não pode ser forçado, tem de haver vontade de todos os envolvidos.

Bom, decorridos alguns meses, conhecemos um menino que vive numa instituição. Tinha 10 anos (agora já tem 11) e temos convivido juntos desde então. Não posso deixar de vos dizer como tem sido uma experiência maravilhosa! Divertimo-nos tanto juntos...

Quem nos apresentou foi a Associação amigos pr'a vida (http://www.amigospravida.pt/).

Começámos por sair. Fomos ao cinema. Depois começámos a passear. Depois passámos fins de semana. Depois férias. Com ele fazemos os tpc (ele não gosta nada!).

Num futuro post, hei-de falar-vos das primeiras vezes. Porque com estas crianças (e mesmo com os jovens), há tantas primeiras vezes. A primeira vez que comeu cerejas ou pêssegos. A primeira vez que teve um quarto só para si. A primeira vez que foi ao Algarve. A primeira vez que viu neve (isso foi há uma semana). A primeira vez que aprendeu a andar de bicicleta. A primeira vez que apertou os sapatos sozinho. A primeira vez que deu umas braçadas autónomas numa piscina. A primeira vez que foi aos escorregas aquáticos de um parque de diversões.

Também vos hei-de falar de como é bom ver uma criança a ficar mais rosadinha, ainda mais risonha (este menino é sempre muito bem disposto), de como rapidamente se habitua a que lhe contem uma história antes de dormir, aos abraços, colinho, aos gatos da casa...

Temos as nossas dificuldades. É difícil convencê-lo a comer comidas que nunca provou, não tendo o palato habituado a muita variedade. E os estudos... ui! Temos sempre uma pega antes de ir tratar do assunto. E os amúos, também acontecem. Às vezes achamos que uma coisa que para nós é espetacular, também havia de ser para ele. Mas não é. Não está habituado, não gosta. Há que gerir as nossas próprias espetativas: idealizámos uma determinada situação, em que a criança iria ficar fascinada e em vez disso é um desastre. Eu diria que é melhor descontrair e ir vivendo o quotidiano.

A nossa situação jurídica ainda não está definida. Já fomos a tribunal, mas ainda não está resolvido. Nem sei se o tribunal realmente decretará o apadrinhamento civil. Não darei detalhes, pois dessa maneira seria possível identificar os intervenientes e consideramos importante manter a reserva nesta matéria, como sabem.

Quando houver desenvolvimentos, aqui vos darei conta.

O que vos quero dizer é que nesta jornada há muitas reviravoltas. E que não podemos estar num caminho destes com expetativas disto ou daquilo, porque aí surgirão frustrações. Acima de tudo, não é algo para se fazer por "pena". Tem de haver paixão pela criança ou jovem, que se desenvolva em amor verdadeiro. Porque vão haver momentos difíceis, sempre. Sem afeto verdadeiro, não vejo que possa haver sucesso. E com franqueza vos digo a minha opinião: não se gera afeto com qualquer um. Acredito que não sentimos empatia por todos os seres da mesma maneira. E para um apadrinhamento civil resultar, julgo que a empatia, a identificação com o outro, são essenciais.

Depois da jornada que fizemos até aqui, continuo a achar que é necessário um tempo de conhecimento mútuo antes de se avançar. Para isso, o voluntariado é essencial. Uma associação como a Amigos prá vida é uma excelente ajuda também, para nos apoiar com a sua experiência.

31
Out17

E como é dia de coisas assustadoras (31OUT)...

Padrinhos Civis

Para quem quiser levar um valente susto, sugiro a seguinte leitura:

 

https://adoption.com/forums/thread/338632/worn-out-with-adopted-teen/

 

Confesso que nem tenho coragem de traduzir, de tal forma é assustador. Sim, é verdadeiramente assustadora a ideia de um adolescente que destrói a vida da família que o acolheu, com mentiras, mau ambiente, ameaças. Sim, tudo pode acontecer. Já aqui disse muitas vezes que procuro que o medo não gira a minha vida. Tenho de assumir que sinto medo, apenas tento que ele não me domine...

31
Out17

Porquê apadrinhar um adolescente?

Padrinhos Civis

Porque eles precisam de amor e sentido de pertença, como qualquer um de nós. Os adolescentes não são demasiado velhos para se ligarem - quantas vezes, já adultos, conhecemos pessoas com quem nos ligamos para a vida, seja um amigo ou mesmo um cônjuge?

Os adolescentes nos Centros de Acolhimento Temporário não têm um lar. Uma família atenta aos seus tropeções. Uma vivência para saber como se vive numa família que não é disfuncional, que não resolve uma discordância com uma luta verbal ou até física, onde há uma vivência amorosa, mesmo que imperfeita.

24
Out17

Testes

Padrinhos Civis

Do estudo que tinhamos feito sobre adoção/apadrinhamento civil de crianças mais velhas, verificámos que a uma fase de lua de mel, que costuma durar 2 meses (mas que em crianças mais velhas/jovens, pode durar mais), se segue muitas vezes uma fase de testes.

 

Nessa fase de testes, a criança quer saber se vão desistir dela se se portar mal. Ou seja, quer saber se o amor que dizem sentir por ela é verdadeiro e incondicional.

 

Os testes de que temos ouvido falar incluem furtos, faltas à escola, birras, desobediência.

 

Não, isto não é para meninos... Na fase de testes a malta tem de se agarrar à cadeira e descer pela montanha russa abaixo!

 

Nós já fomos testados. Acho que tivemos boa nota no teste que fizemos até agora... Fomos firmes na resposta e ao mesmo tempo assegurámos à nossa miúda que não íamos desistir dela.

 

Saber que iamos ser testados ajudou muito. Se não estivessemos preparados, éramos capazes de ficar abatidos. Assim, sabedores que se trata de uma caminho das pedras típico, ajuda.

 

Agora estamos a aproveitar cada minuto. Não sendo um bebé, ainda é mais premente o sentimento de que há que aproveitar!

19
Out17

Está preparado para apadrinhar um adolescente?

Padrinhos Civis

Achei este texto em inglês e acho que bateu "na mouche"... Vou traduzi-lo de maneira livre para quem interessar:

 

Leia e reflita sobre estas questões, para perceber se tem a fibra necessária para apadrinhar/adotar um adolescente:

 

- Gosto de adolescentes;

- Não me importo se o meu miúdo/miúda não me chamar "mãe/pai";

- Às vezes rio-me de situações em que outras pessoas ficariam frustradas;

- Sei que precisarei de ajuda se apadrinhar/adotar um adolescente e quero aprender;

- Sei que não vou morrer se a chávena que era da minha avó se partir;

- Sou resiliente perante a frustração;

- Não levo a peito situações, mesmo que me magoem os sentimentos;

- Estou disposto a ajudar a minha miúda ou miúdo a explorar a sua espiritualidade, mesmo sabendo que ele não segue a minha religião nem as minhas crenças ou descrenças espirituais;

- Já ouvi falar em Instangram e Snapchat;

- Se tenho um parceiro, ele ou ela está de acordo em adotarmos/apadrinharmos um miúdo ou miúda com traumas;

- Sei o que é sexting e tenho uma ideia sobre o que fazer se o meu miúdo ou miúda o praticar;

- Gosto de surpresas;

- Tenho a capacidade de ver o trauma e a mágoa nos olhos do meu miúdo ou miúda e ser empático e atento às suas necessidades;

- Consigo apoiar a minha miúda ou miúdo mesmo que ele queira contactar a sua família biológica;

- Sei dizer "não" sob pressão extrema e às vezes digo "sim";

- Tenho uma rede de familiares e amigos que me apoiam nesta empreitada;

- Gosto de abraços mas sei sobreviver sem eles às vezes;

- Não há problema se o meu miúdo ou miúda mantiver o seu apelido;

- Sei o que é amor incondicional se o meu miúdo ou miúda sair de casa para ficar com a mãe biológica... e depois quiser voltar;

- Reconheço as dificuldades de um jovem sair de um sistema de institucionalização e sobreviver sem ajuda com sucesso.

 

Se respondeu "sim" à maioria destas questões, poderá estar preparado...

 

Fonte: https://ampersandfamilies.org/should-you-adopt-a-teen/

 

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